domingo, 25 de março de 2012

Reconstrução de rostos ainda desafia ciência e médicos

A reconstrução de faces desfiguradas por ataques ou acidentes com ácido ainda é um grande desafio para médicos. Mais do que avanços na área da cirurgia plástica reparadora, pesquisas com células-tronco e até transplante de rosto, em casos mais severos, dão esperanças para pacientes no futuro.

Funções, estética e simetria ao restaurar todos os componentes da face ou de outra parte do corpo são os principais pontos deste tipo de operação, explica aoTerra o cirurgião plástico Mohammad Jawad, que teve seu trabalho voluntário com sobreviventes de ataques com ácido no Paquistão mostrado em Saving Face, ganhador do Oscar de documentário de curta-metragem neste ano. Os profissionais procuram deixar o mínimo possível de cicatriz, distorção, contratura ou alteração de cor ou textura da pele. Mesmo assim, ao ser reconstruído, um rosto nunca será como antes (veja abaixo o que o ácido provoca em contato com a pele).

"Nosso objetivo é atingir um ponto em que o paciente pode tomar uma decisão consciente de não se submeter mais a cirurgias e continuar com sua nova vida após o trauma. Esforçar-se por perfeição por muito tempo pode resultar em vantagem zero ou ainda desvantagem", avalia o cirurgião plástico britânico Ronald Hiles, que já tratou cerca de 2 mil sobreviventes na Ásia por meio da Acid Survivors Trust International (ASTI).

De acordo com ele, pesquisas estão em andamento para descobrir melhores maneiras de criar uma nova pele sem causar grandes cicatrizes secundárias no paciente, em caso do uso de enxertos (pele retirada de outra parte do corpo). O ideal é que a substituta tenha a mesma cor e textura, sem tendência a contrair.

"Muito progresso tem sido feito nos últimos anos, mas sempre há espaço para mais melhorias. Pesquisas com células-tronco são uma grande esperança neste sentido", aponta.

Visão restaurada
Pelo menos para a recuperação da visão, o uso de células-troncos se tornou realidade em fevereiro deste ano, em uma cirurgia pioneira realizada na britânica Katie Piper, ex-modelo e apresentadora de TV que foi atacada com ácido a mando do ex-namorado em Londres, em 2008. Seu rosto foi reconstruído por mais de cem cirurgias desde então, mas ela continuava cega do olho esquerdo. Em ataques ou acidentes com esse tipo de produto corrosivo, é muito difícil de preservar a visão, com a pele ao redor dos olhos se dissolvendo, assim como sobrancelhas e cílios, explica Jawad, que reconstruiu o rosto da modelo.

No site de sua fundação, criada para ajudar pessoas com queimaduras e cicatrizes no Reino Unido, Katie conta que, após passar três anos e meio tentando aceitar que seria cega para sempre de um olho, entrou em contato com o médico responsável ao ouvir falar do novo procedimento e se apresentou para ser uma das poucas pessoas no mundo a passar pelo tratamento, com a colocação de células-tronco diretamente no local.

Segundo a BBC, médicos no Queen Victoria Hospital, no condado de West Sussex, no sudeste da Inglaterra, usaram tecidos da córnea de um doador anônimo para desenvolver as células, que foram então costuradas ao olho de Piper. Seu olho foi então coberto com uma membrana amniótica, que envolve o embrião dentro do útero e que foi doada por mulheres que passaram por cesáreas, que servia como curativo.

Transplante de face
Procedimento controverso, o transplante de rosto pode ser uma alternativa futura em casos de desfiguração severa, com perda de tecidos mais profundos da pele e de músculo, além de situações de perda completa da face, explica Jawad. "É tecnicamente desafiador, mas uma excelente opção para o paciente certo com a atitude certa", opina.

Isso porque o rosto, com papel tão importante na nossa personalidade, envolve complexas questões emocionais. "A escolha de pacientes adequados, que mais provavelmente se beneficiariam física e psicologicamente de um transplante de face, é certamente muito difícil. Permissão para usar rostos de doares em potenciais tem probabilidade de ser recusada em muitos casos. Também há problemas com rejeição de tecido, a necessidade de imunossupressão (para evitar a rejeição) prolongada e a incerteza sobre a qualidade da reinervação dos músculos faciais", observa Hiles.

Desde 2006, um ano após a francesa Isabelle Dinoire passar pela primeira operação parcial no mundo, o Reino Unido conta com uma equipe autorizada a fazer transplante completo de rosto, no hospital Royal Free, em Londres. No entanto, até hoje, os médicos ainda aguardariam um doador compatível com os pacientes candidatos.

Hiles, que acompanha com interesse as pesquisas feitas na área, acredita que ainda há um longo caminho até se chegar a um procedimento adequado a sobreviventes de ataques de ácido que ainda possuem a maior parte de seus músculos e ossos faciais intactos. "O Paquistão não está pronto para isso neste estágio, mas espero estar errado sobre isso", complementa Jawad sobre o transplante de rosto.


***

É muito interessante esse procedimento de transplante de rosto mas, infelizmente, ainda é muito raro por ser algo diferente e muito pessoal. Não é qualquer pessoa que aceita que a pele de seu familiar ou amigo seja retirada e colocada em outra pessoa. Apesar de ser um procedimento complicado, na minha opinião, deveria continuar a ter pesquisas sobre isso porque é algo inovador que pode ajudar muita gente.



http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5682287-EI8147,00-Reconstrucao+de+rostos+ainda+desafia+ciencia+e+medicos.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário