sábado, 4 de agosto de 2012

Redução de estômago pode resultar em bebês com problemas de saúde

Bebês de mulheres que ficaram grávidas depois de terem feito redução de estômago nasceram com baixo peso e apresentaram problemas respiratórios ou pulmonares, infecções e até a necessidade de reanimação na sala de parto logo após o nascimento, apontou uma pesquisa realizada em Santos.

A pesquisa indica que a cirurgia bariátrica pode ter sido responsável pela maior vulnerabilidade nutricional das gestantes e que isso pode ter provocado reflexos nos fetos, afetando até a amamentação. De acordo com os dados, 74% das mulheres engravidaram após um ano da cirurgia e 28,5% em menos de um ano. Do total de entrevistadas, 68,6% amamentaram os filhos por um período inferior a seis meses, com 43% realizando o aleitamento materno por apenas dois meses.

O estudo foi feito pela Secretaria de Estado da Saúde em parceria com a Universidade Católica de Santos com 35 mulheres entre 24 anos e 39 anos, que ficaram grávidas depois de terem feito cirurgia bariátrica. Do total, 88,6% delas tiveram parto por cesárea, 50% nasceram com baixo peso e 14% tiveram problemas respiratórios ou pulmonares.

A pesquisadora e nutricionista da Divisão de Doenças Não Transmissíveis do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria, África Isabel de la Cruz Perez, explicou que na cirurgia de redução de estômago, além de o paciente ter o tamanho do órgão diminuído, o que restringe a quantidade de alimento que pode ser ingerido diariamente, geralmente é feito um desvio de algumas partes do intestino, onde os nutrientes são absorvidos.

"O cirurgião desvia o trajeto normal do alimento para ele não passar pelo duodeno. Por isso há um prejuízo grande da absorção. Ela come pouco e o pouco que come não é absorvido. Assim ela vai passar a usar as reservas corporais que tem e, por isso, emagrece rápido. Isso é muito nocivo para a saúde. Agora imagine isso para uma pessoa que está em idade fértil e vai gerar uma criança."

Segundo ela, outras pesquisas também já indicaram a possível influência da cirurgia bariátrica no nascimento prematuro e no baixo peso dos bebês. Além disso, existe também outra conseqüência, como a reprogramação fetal. Nesse caso, o feto está em um ambiente no qual percebe que há poucos nutrientes e interpreta isso como um ambiente hostil. Assim, o feto se reprograma para acreditar que quando sair do meio uterino estará também em um local com essa deficiência de nutrientes.

"O que acontece é que esse bebê não é amamentado direito. Acaba recebendo leite de vaca e por causa da reprogramação fetal isso resulta em uma hiperalimentação, que pode levar à obesidade na fase adulta e a vários problemas cardiocirculatórios. Isso está sendo atribuído à reprogramação fetal".

África ressaltou a importância de o paciente ter um bom acompanhamento médico tanto antes quanto depois da cirurgia, com nutricionista e psicólogo. "Assim ela pode evitar as consequências maléficas da cirurgia, porque elas também existem e é sobre isso que as pessoas precisam ser alertadas."

Para a nutricionista o ideal é que a pessoa se esforce para não engordar a ponto de ser necessário fazer a redução de estômago. "O ideal é ter uma alimentação adequada e fazer exercícios físicos para se manter dentro do peso indicado para a altura."


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Foi muito bom haver uma pesquisa sobre esse assunto já que é pouquíssimo divulgado os malefícios que a cirurgia de redução de estomago pode fazer. Muitas pessoas acham que é algo simples : "estou gordo de mais mas tenho preguiça de fazer exercícios e não quero deixar de comer as coisas que eu gosto, vou fazer uma cirurgia que é mais fácil". Com essa linha de raciocínio grande parte da população tem a ideia errada sobre esse tipo de cirurgia. Para ter uma vida saudavel e consehuir transmiti-la aos seus filhos, a pessoa precisa praticar exercícios físicos e cuidar da alimentação.



http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI6009841-EI238,00-Reducao+de+estomago+pode+resultar+em+bebes+com+problemas+de+saude.html


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